quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sonho de Liberdade

E quando a Nayara Felizardo me falou que a pauta era no CEM, eu pensei: “Será se vamos mesmo entrar no complexo, ou só ficar ali pela recepção?” Isso me deu uma instiga de ir logo ver a realidade lá dentro, só por aquele pequeno tempo que iríamos estar por ali.
Assinamos, entramos e adentramos. Cadeados e mais cadeados, grades por todos os lados e muitas frases espalhadas pelas paredes. Pronto, estamos no pátio onde estão todos os menores daquele pavilhão reunidos e atentos com olhares baixos e desconfiados esperando para escutar a palavra de Deus, através da música ou não, até mesmo daquele rapaz que diz ter sido já o bandidão lá no Rio de Janeiro, que andava com granadas e com fuzis, trocando tiros com a polícia, assaltando todos e tudo só pra usar drogas e no outro dia não ter mais nada, nem pó, nem o dinheiro! O clima ali dentro estava bem pacífico, e vi muita, muita esperança nos olhos de cada um. A alegria no rosto do que estava saindo no dia seguinte. Resistência na face de outros, mas com um pingo de esperança, o mínimo que fosse.
A brincadeira de empinar pipa salva à tarde daquelas “crianças”, que ficam ali no portão de onde não podem mais ultrapassar, pedindo mais linha pros educadores. Quando estava saindo, falei com muitos e fui pegando na mão deles e sentindo a humildade e necessidade de liberdade de cada um, mas que foi perdida por alguns cordões, bicicletas, bonés e outros objetos tomados, sem valor nenhum quando se colocado em comparação ao poder do “ir e vir”. Passei pelos portões, na saída e fiquei com sentimento de que todos poderiam sair comigo, mas vi que dali eles não passam e so escutam mesmo o som do cadeado trancando e pronto. Ali, a Liberdade é a única sensação que não se tem.










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